O retorno da política do poder é evidenciado por múltiplos eventos que marcaram as últimas décadas, cada um deles reiterando a disposição das nações em utilizar a força para alcançar seus objetivos estratégicos.
Um dos exemplos mais contundentes deste fenômeno foi o bombardeio da embaixada da China pela OTAN na Sérvia, em 1999, durante a guerra do Kosovo. Este incidente, que resultou na morte de diplomatas chineses e em uma grave crise diplomática entre a China e os Estados Unidos, ilustra a perigosa interseção entre ações militares e a política do poder. A justificativa de um erro de inteligência não mitigou as tensões, evidenciando como as operações militares, mesmo quando alegadamente direcionadas a objetivos legítimos, podem ter consequências profundas nas relações internacionais.
Em 2003, a invasão do Iraque pelos Estados Unidos, sob alegações de posse de armas de destruição em massa, representou outro marco da política do poder. Este ato não apenas desestabilizou o Oriente Médio mas também estabeleceu um precedente sobre a intervenção militar baseada em informações controversas.
A intervenção da OTAN na Líbia, em 2011, sob o pretexto de proteger civis, resultou na desestabilização do país e demonstrou, mais uma vez, a política do poder disfarçada de intervenção humanitária.
Mais recentemente, a anexação da Crimeia pela Rússia em 2014, seguida pela invasão da Ucrânia em 2022, são manifestações explícitas da Machtpolitik, com a Rússia buscando expandir sua influência e desafiar a ordem internacional.





